Cavaco Silva, ao não ter vetado a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo, apenas usou do pragmatismo que levou a que a «direita» conservadora não apresentasse candidato próprio à presidência da República, nas últimas «presidenciais».
Sem crescimento económico significativo e com um nível de impostos elevado, será possível cortar a despesa em 6,5% (de 9,3% para 2,8%) do PIB sem reduzir salários e reformas ou, então, apoios sociais?
(nota - entretanto eliminem-se privilégios absurdos e causadores de desigualdade.)
Lendo os resultados da sondagem da Eurosondagem com alguma atenção, podemos concluir que os portugueses não estão disponíveis para o esforço que, os próprios, admitem ser inevitável; além disso, quando aceitam - apenas - a subida dos impostos sobre o tabaco e o álcool, revelam uma assustadora falta de conhecimento da verdadeira dimensão do problema.
O economista Ricardo Reis, professor da Universidade de Columbia, propõe aumentar a competitividade da nossa economia combinando a redução da taxa social única paga pela entidade empregadora, em 6,75%, com o aumento do IVA em 5%. (aqui)
Olhar para as grandes obras públicas como o tudo ou nada, tomando-as como o grande desígnio nacional capaz de nos levar à «Europa», é permanecer na ilusão de que esse papel pode ser tomado à educação e à justiça.
Será que alguém podia explicar a Manuel Alegre que, em certa medida, as palavras do Presidente da República também tomam em consideração o «conselho» de Keynes?
“Eu entendo que faz sentido reponderar todos aqueles investimentos, públicos ou privados, na área dos bens não transaccionáveis, que tenham uma grande componente importada, isto é, que utilizem pouca produção nacional e que sejam capital intensivo, ou seja, que utilizem pouca mão-de-obra portuguesa.”
[Cavaco Silva]
“Recordo que o Presidente Roosevelt, a conselho de Keynes, utilizou o investimento público como uma das armas para enfrentar e vencer a crise.”